O Propósito do Discipulado
Para muitos pastores e líderes, um dos momentos mais tristes
de seus ministérios é quando encontram pessoas que fizeram parte de suas
igrejas e que ainda não deram prioridade à sua fé. Nem todas as histórias
positivas daqueles que estão comprometidos, servem de remédio para curar essa
tristeza, pois cada discípulo é singular. Muitos líderes se perguntam o que deu
errado e, às vezes, tem um sentimento de culpa ao questionarem o seu papel no
crescimento espiritual das pessoas.
Por outro lado, percebemos que alguns “ex-cristãos” tinham
conhecimentos da bíblia, de doutrina cristã e de teologia, mas não tinham
aprendido a manter sua fé e a crescer sozinho. Estes cresceram porque
frequentaram a programação do ministério. Enquanto ela existia, eles cresceram.
Um ministério que encoraja seus discípulos a serem mais comprometido com a
programação e seus pastores do que com Cristo e o caminho d’Ele, precisa
repensar radicalmente sua estratégia de discipulado.
Discipulado é o termo regularmente utilizado para descrever
o desenvolvimento e o fortalecimento dos cristãos em sua constante jornada de
seguir os passos de Cristo. A bíblia está repleta de ordens relacionadas ao
crescimento na fé. Em Hebreus 6:1 somos exortados: “Pelo que, deixando os
ensinos elementares da doutrina de Cristo, prossigamos para a perfeição”. O
discipulado é um processo permanente que Deus usa para nos levar à maturidade
em Cristo.
Hoje, existem vários livros sobre discipulado com definições
diversas sobre esta tarefa. Existem padrões distintos de crescimento espiritual
e cada discípulo responde de uma maneira diferente, por isso podemos concluir
que não existe apenas uma maneira de discipular. Doug Fields, no livro “Um
Ministério para Líderes de Jovens com Propósitos”, um simples definição para
discipulado: “ajudar as pessoas a se tornarem mais parecidas com Cristo”. Para
alguns, basta menos de seis meses para apresentarem algum sinal de crescimento.
Para outros, é necessário três anos!
O discipulado deve conter dois elementos: um educacional e
outro relacional. Jesus ensinou seus discípulos (educacional), assim como andou
e viveu com eles (relacional). Mas, Ele fez algo mais surpreendente: comunicou
que iria deixá-los. Ele preparou seus discípulos para sua ausência. Jesus lhes
ensinou hábitos e disciplinas espirituais que seriam necessários para o
crescimento deles na fé. Assim, nós precisamos equipar as pessoas comprometidas
do ministério com hábitos necessários para sua “independência” espiritual, ao
invés de criarmos uma dependência intelectual daqueles. Muitos jovens precisam
mais de relacionamentos do que de informações. Temos nos nossos ministérios
jovens letrados na Bíblia que não produzem frutos. Estes têm todas as respostas
certas (conhecimento), mas fazem escolhas erradas diariamente. Por isso, não
podemos ter um plano de discipulado baseado em programas.
“E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste,
confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2
Tm 2:2).
Promova hábitos em
vez de programas
Os membros dos nossos ministérios precisam desenvolver
hábitos espirituais consistentes. É o maior legado que podemos lhes dar para
enfrentar os desafios, os conflitos e os problemas da vida. O que manterá viva
a fé do jovem diante das provações? Resposta: a graça de Deus e os hábitos
desenvolvidos.
Nós, escolhemos seis hábitos a partir da seguinte pergunta:
“Que hábitos são importantes para o crescimento espiritual permanente? Quais
são os hábitos nos quais você confia para manter um autêntico relacionamento
com Jesus Cristo?”. Por se tratar da palavra “hábito”, fizemos uma lista com as
iniciais de acordo com ela. Forçamos um pouco, mas é para ajudar a memorização.
HORA
silenciada com Deus
ACOMPANHAMENTO
de outro crente
BÍBLIA
(estudo e memorização)
INTEGRAÇÃO
à igreja
TESTEMUNHO
OFERTAS
e dízimos
Após a definição dos hábitos, é importante perguntar: “Que
estratégias podem ajudar os membros dos nossos ministérios a desenvolvê-los?”.
Não é suficiente dizer: “Quero que estudem a bíblia”, mas não lhes oferecer um
recurso que os ajude a estudar a bíblia. Precisamos criar ferramentas, elaborar
materiais e assumir o papel de encorajador. Além de receber o encorajamento do
líder, cada pessoa comprometida tem o apoio da célula (grupo pequeno). O líder
desse grupo é aquele que faz a maior parte do trabalho de encorajamento e
exerce ativamente o papel de discipulador, supervisor e orientador.
O discipulado funciona como uma pausa, as vezes tudo que precisamos é compartilhar algo para o nosso discipulador e ao falar percebemos que algo em nós não estar certo. Quando nós mesmos descobrimos que algo não está certo, é mais fácil conseguir mudar, pois já estamos conscientes. Algumas vezes não conseguiremos sozinho, precisaremos de ajuda, alguém para orar junto, alguém que nos ajude a enchegar o que sozinho não estamos conseguindo. Essa pessoa que nos ajudará na nossa caminhada com Deus é o nosso discipulador.
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