quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Propósito do Discipulado

Para muitos pastores e líderes, um dos momentos mais tristes de seus ministérios é quando encontram pessoas que fizeram parte de suas igrejas e que ainda não deram prioridade à sua fé. Nem todas as histórias positivas daqueles que estão comprometidos, servem de remédio para curar essa tristeza, pois cada discípulo é singular. Muitos líderes se perguntam o que deu errado e, às vezes, tem um sentimento de culpa ao questionarem o seu papel no crescimento espiritual das pessoas.


Por outro lado, percebemos que alguns “ex-cristãos” tinham conhecimentos da bíblia, de doutrina cristã e de teologia, mas não tinham aprendido a manter sua fé e a crescer sozinho. Estes cresceram porque frequentaram a programação do ministério. Enquanto ela existia, eles cresceram. Um ministério que encoraja seus discípulos a serem mais comprometido com a programação e seus pastores do que com Cristo e o caminho d’Ele, precisa repensar radicalmente sua estratégia de discipulado.



Discipulado é o termo regularmente utilizado para descrever o desenvolvimento e o fortalecimento dos cristãos em sua constante jornada de seguir os passos de Cristo. A bíblia está repleta de ordens relacionadas ao crescimento na fé. Em Hebreus 6:1 somos exortados: “Pelo que, deixando os ensinos elementares da doutrina de Cristo, prossigamos para a perfeição”. O discipulado é um processo permanente que Deus usa para nos levar à maturidade em Cristo.


Hoje, existem vários livros sobre discipulado com definições diversas sobre esta tarefa. Existem padrões distintos de crescimento espiritual e cada discípulo responde de uma maneira diferente, por isso podemos concluir que não existe apenas uma maneira de discipular. Doug Fields, no livro “Um Ministério para Líderes de Jovens com Propósitos”, um simples definição para discipulado: “ajudar as pessoas a se tornarem mais parecidas com Cristo”. Para alguns, basta menos de seis meses para apresentarem algum sinal de crescimento. Para outros, é necessário três anos!


O discipulado deve conter dois elementos: um educacional e outro relacional. Jesus ensinou seus discípulos (educacional), assim como andou e viveu com eles (relacional). Mas, Ele fez algo mais surpreendente: comunicou que iria deixá-los. Ele preparou seus discípulos para sua ausência. Jesus lhes ensinou hábitos e disciplinas espirituais que seriam necessários para o crescimento deles na fé. Assim, nós precisamos equipar as pessoas comprometidas do ministério com hábitos necessários para sua “independência” espiritual, ao invés de criarmos uma dependência intelectual daqueles. Muitos jovens precisam mais de relacionamentos do que de informações. Temos nos nossos ministérios jovens letrados na Bíblia que não produzem frutos. Estes têm todas as respostas certas (conhecimento), mas fazem escolhas erradas diariamente. Por isso, não podemos ter um plano de discipulado baseado em programas.


“E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm 2:2).


Promova hábitos em vez de programas


Os membros dos nossos ministérios precisam desenvolver hábitos espirituais consistentes. É o maior legado que podemos lhes dar para enfrentar os desafios, os conflitos e os problemas da vida. O que manterá viva a fé do jovem diante das provações? Resposta: a graça de Deus e os hábitos desenvolvidos.


Nós, escolhemos seis hábitos a partir da seguinte pergunta: “Que hábitos são importantes para o crescimento espiritual permanente? Quais são os hábitos nos quais você confia para manter um autêntico relacionamento com Jesus Cristo?”. Por se tratar da palavra “hábito”, fizemos uma lista com as iniciais de acordo com ela. Forçamos um pouco, mas é para ajudar a memorização.


HORA silenciada com Deus


ACOMPANHAMENTO de outro crente


BÍBLIA (estudo e memorização)


INTEGRAÇÃO à igreja


TESTEMUNHO


OFERTAS e dízimos


Após a definição dos hábitos, é importante perguntar: “Que estratégias podem ajudar os membros dos nossos ministérios a desenvolvê-los?”. Não é suficiente dizer: “Quero que estudem a bíblia”, mas não lhes oferecer um recurso que os ajude a estudar a bíblia. Precisamos criar ferramentas, elaborar materiais e assumir o papel de encorajador. Além de receber o encorajamento do líder, cada pessoa comprometida tem o apoio da célula (grupo pequeno). O líder desse grupo é aquele que faz a maior parte do trabalho de encorajamento e exerce ativamente o papel de discipulador, supervisor e orientador.   

Um comentário:

  1. O discipulado funciona como uma pausa, as vezes tudo que precisamos é compartilhar algo para o nosso discipulador e ao falar percebemos que algo em nós não estar certo. Quando nós mesmos descobrimos que algo não está certo, é mais fácil conseguir mudar, pois já estamos conscientes. Algumas vezes não conseguiremos sozinho, precisaremos de ajuda, alguém para orar junto, alguém que nos ajude a enchegar o que sozinho não estamos conseguindo. Essa pessoa que nos ajudará na nossa caminhada com Deus é o nosso discipulador.

    ResponderExcluir